quinta-feira, abril 07, 2011

Sociedade - Afinal o que é?

Nomear um blog de "Sociedade Alienada" sem dar uma breve explicação aos leitores sobre o que é a sociedade, não faz muito sentido, pois falaremos constantemente nela directa, ou indirectamente e ela será sempre o nosso referencial - pois nós somos essa sociedade.





"Uma pessoa que não consiga viver em sociedade, ou não necessite por ser auto-suficiente, ou é uma besta ou é um Deus." - Aristóteles




Poderia falar sobre os vários tipos de sociedade que existiram ao longo dos tempos até chegarmos à sociedade actual - A Sociedade de Consumo, mas o meu objectivo não é esse, pois pretendo dar minha opinião sobre a sociedade do ponto de vista do observador que relaciona os problemas actuais com as vivências em sociedade.

O Indivíduo e a Sociedade
Vejamos a definição de sociedade no dicionário:

sociedade
nome feminino
  1. conjunto de pessoas que vivem em estado gregário, corpo social;
  2. conjunto de pessoas que mantêm relações sociais, colectividade;
  3. estado dos animais que vivem normalmente em agrupamentos;
  4. relação entre pessoas, convivência.
Não podemos negar que fazemos parte da sociedade. Estamos rodeados por ela (pois nós somos os seus elementos), recebemos os seus valores desde pequenos, quer queiramos, quer não. E só mais tarde, com o desenvolvimento (ou não) da nossa opinião e sentido crítico é que percebemos o quanto estamos enquadrados com essa sociedade à qual pertencemos.
- Explica lá isso melhor?
Imagina o seguinte:
  • nasceste num país em guerra, onde desde cedo te dão uma arma para aprenderes a lidar com ela e para matares "os inimigos" (que nem sabes porque são teus inimigos...mas enfim). À medida que cresces, apercebeste que algo está mal, pois tentas perceber um pouco do que se passa à tua volta e claramente entendes que retirar a vida a um semelhante é um acto condenável. Decides mudar de atitude e a partir desse momento, excluiste-te parcialmente dessa sociedade, pois deixaste de partilhar alguns dos seus valores e costumes.


- Isso não é assim tão fácil...deixar de fazer algo que sempre me foi incutido assim?
Sim, não é fácil executar esse tipo de reforma no pensamento (e consequentes atitudes), mas ela (a reforma) é possível. A sua eficácia só depende das nossas motivações.
- Mas...e a sociedade? Não resiste à minha mudança?
Resiste pois, em maior ou menor escala, acabas por sofrer sempre influências que te levam a pensar que afinal as tuas ideias parecem um devaneio...e que a verdade, é aquilo que é proclamado na generalidade, aquilo que é proclamado pela sociedade. Mas...

...nem tudo o que é normal, é o que está certo.
Muitas das coisas que actualmente fazemos nem questionamos porque as fazemos, não só porque "sempre assim foram", mas também porque a sociedade já desenvolveu mecanismos para as manter. Desde pequenas coisas como as tuas regras de alimentação, às mais complexas como a sociedade de consumismo na qual vivemos.
- Humm...Mecanismos?! Não estou a ver nenhum...
Exemplo: 
O fato e o "status" social 
Quantos de vós já questionaram a razão pela qual existe o fato e gravata? Não é só para andarmos vestidos certamente, pois para isso existem vestes bem mais práticas e diga-se de passagem, bem MAIS baratas. O fato e a gravata existem por uma "imposição social".
Sim, imposição...
Apesar de efectivamente ninguém colocar essa imposição (excepto algumas excepções), em muitos sítios, principalmente nos locais de trabalho, muita gente usa fato - o belo e vistoso fato. E porquê? Sinceramente, acho que não sei. Vejamos: o fato não te dá inteligência nem capacidade de raciocínio, não te dá destreza nem qualquer outro tipo de outro faculdade, mas...o fato deixa-te integrado num local onde toda a gente usa fato.
- Ok, e mais?


É só isso.


- Só?!


Sim, só. Aposto que ninguém está de manhã no teu quarto a dizer o que tens de vestir, mas para te sentires bem e enquadrado num local onde todos estão de fato, automaticamente ganhas esse bloqueio mental que te leva a agir da mesma forma.


Agora aplica isso em grande escala, em outro grandes temas como a economia, por exemplo. Mas isso será tratado com mais calma noutro dia.


Deixo-vos um vídeo sugestivo:


Os Cinco Macacos


E com isto, já me alonguei...
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