quarta-feira, dezembro 21, 2011

I Assembleia Popular de Alfragide

Olá caros amigos,

venho por este meio trazer-vos a seguinte convocatória:
Poster gentilmente elaborado por Indignados Lisboa.
"Somos cidadãs e cidadãos em exercício da nossa soberania. Reconhecemos que o nosso campo de acção político está relegado a um papel passivo que não vai além do compromisso com o Estado por meio do imposto ou do voto.
Intermediado por organismos e instituições burocratizadas, corporativas e hierarquizadas que controlam e condicionam o poder efectivo sobre a decisão das questões fundamentais da gestão do nosso quotidiano. 

No momento em que a mensagem que nos chega dos nossos Governantes é a da união em torno de soluções apresentadas como inevitáveis, decidimos reunir-nos em Assembleia Popular livre, num exercício de cidadania pacífico, apartidário e laico, que pretende tomar a palavra no processo de resgate das nossas vidas. Conscientes da responsabilidade que este tempo histórico nos confia, em todo o mundo pessoas como nós estão a tomar as ruas na busca de soluções que nos levem a superar os problemas imediatos, mas também buscar novas formas de organização e gestão para a nossa vida social e comunitária. Convocamos tod@s @s que se sintam igualmente perplex@s com o cenário actual e aspirem a assumir um papel activo, para que possamos juntos discutir livremente e em pleno direito as formas de resolver os problemas que o presente nos coloca.


Regulamento da Assembleia Popular

  1. Estrutura da Assembleia
  2. Leitura das normas de funcionamento da Assembleia por um membro da mesa.
  3. 1h Debate Aberto
  4. 1h Apresentação de propostas para Grupos de Trabalho e resumo das actividades em curso.
  5. Fecho: Decisão da data para a próxima Assembleia / Reunião dos grupos de trabalho

Funcionamento da Assembleia.
  • Todas as pessoas são livres de participar e tomar a palavra compreendendo a necessidade de eficiência deste órgão e respeitando todas e todos os intervenientes segundo os princípios de boa convivência. Para cada tomada de palavra deve ser cumprido um tempo máximo de 5 minutos.
  • A Assembleia não tem um carácter legislativo ou executivo sobre as pessoas que a constituem. A vontade soberana desta Assembleia expressa-se no exercício prático dos desafios e propostas que são lançadas de e para cada participante.
  • Antes de cada sessão é necessário que, de entre as pessoas reunidas, existam três voluntárias ou voluntários para cumprir a execução das tarefas que garantam o seu funcionamento, a saber:
  • Uma pessoa responsável por recolher as inscrições para tomar a palavra e propostas de nova data para a assembleia.
  • Uma pessoa responsável pela moderação do tempo de cada intervenção e pelo respeito pela ordem da inscrição.
  • Uma pessoa responsável pela redação de um documento que possa resumir os temas abordados. Este documento deverá depois ser assinado pela redactora ou redactor e tornado público através da publicação no site e leitura no início da sessão seguinte. Qualquer tomada de posição presente neste documento será da responsabilidade da autora ou autor. Não há, por isso, prejuízo de que outras pessoas possam redigir documentos no mesmo sentido.
  • Estes três voluntários ficam com a responsabilidade de tratar da logística necessária para a assembleia seguinte.
  • A decisão sobre a data de uma nova Assembleia é feita segundo o maior número de disponibilidades dos presentes. Junto da pessoa responsável devem ser feitas propostas no sentido de uma nova data para Assembleia que será escolhida após a consulta de quem participe na mesma."
- adaptado de Indignados Lisboa

O objetivo é reunir-nos no próximo dia 28 de Dezembro, 4ª-feira, na Alameda dos Moinhos (Google Maps), em Alfragide, pelas 20h30.
Tragam bons agasalhos e uma manta para se sentarem no chão.

Caso as condições climatéricas, nomeadamente a chuva, não permitam a nossa reunião, a Assembleia passará automaticamente para a semana seguinte, no mesmo dia da semana e na mesma hora.
Clicka na imagem para ires para o evento no Facebook.
Por favor, divulguem.


Vamos criar um espaço de debate e troca de ideias.
Aparece!

terça-feira, novembro 29, 2011

O Conhecimento não ocupa lugar

Será que não ocupa mesmo lugar?

Uma amiga à tempos desmentiu, dizendo, e bem: "O conhecimento ocupa lugar, sim - o lugar da ignorância."
Deu-me que pensar, pois ambas as afirmações estão corretas, mas cada uma com um sentido completamente diferente.

O conhecimento não ocupa lugar

O conhecimento é resultado de todas as experiências que temos na nossa vida, sejam elas triviais do nosso dia-a-dia, ou académicas. Sempre que nos debruçamos sobre um cenário novo, algum conhecimento surgirá, alguma experiência ganharemos. Mas é preciso estarmos mesmo sobre um novo cenário, pois caso contrário, podemos dizer que atuamos dentro da nossa zona de conforto - uma área abstrata delimitada pelo nosso conhecimento e da qual conhecemos as variáveis, ou a grande maioria delas e conseguimos ter controlo total ou parcial sobre a matéria em questão.

- "E fora dessa área?"

- "Um dia serei astronauta."
Fora dessa área temos o Novo, o Desconhecido, a Surpresa, Mais Conhecimento, a Verdade. E é ao navegarmos nessa área que crescemos intelectual/moral-mente. Mas é preciso ter um espírito aberto às novas experiências. Quantas pessoas desistem ainda antes de tentar? Quantas pessoas ouvem os boatos e as hipóteses, julgando que isso é o suficiente para saberem algo sobre alguma coisa?
E é ao não darmos um passo na direção do conhecimento, que estagnamos e damos espaço à ignorância.
Não podemos questionar a nossa capacidade de aprendizagem, pois todos nós estamos capacitados para aprender sempre um pouco mais, desde a pessoa com Trissomia 21 até ao grande Astro-Físico...há sempre espaço para aprender algo mais. SEMPRE.

O conhecimento ocupa o lugar da ignorância


Se tivermos então a coragem de navegar num mar desconhecido, temos de lembrar-nos que há muitas pessoas a ganharem com isso - ganha o próprio indivíduo e todos os que o rodeiam. Porque o conhecimento DEVE ser partilhado, para retirar mais pessoas da ignorância. Claro que não devemos aceitar tudo sem um olhar crítico, mas devemos expôr-nos às experiências para retirarmos as nossas próprias conclusões. Pior do que não poder aprender, é não querer aprender; os verdadeiros ignorantes não querem aprender, pois num misto de presunção e preguiça, julgam que sabem tudo...e assumir que se sabe alguma coisa, é dar rédea solta ao erro e à falácia.

A meu ver, devemos estudar um pouco de tudo, começando, obviamente, pelas matérias que mais nos agradam. Devemos estudar também o nosso comportamento e o dos outros, tentando perceber o que somos, como agimos, como pensamos, qual a finalidade de certos atos; e tentar chegar ao nosso íntimo, procurando implementar uma verdadeira reforma do nosso ser, com base no conhecimento e não na ignorância.
Procurar fazer o bem, é também uma forma de fugir da ignorância.

Ser Conhecedor

É hora de agir.
Procuremos um livro sobre uma matéria diferente, procuremos apreciar outros domínios, desde as coisas simples e ordinárias da nossa vida, até às matérias mais complexas e extraordinárias.
Acredita em ti e nas tuas capacidades...hoje, experimenta ignorar aquele programa de televisão ou não leias aquela enfadonha revista côr-de-rosa...hoje darás um passo noutra direção, por um caminho que necessita de mais esforço, mas que no final te deixará diferente e bem melhor.

Se os óculos fizerem doer a vista, tira-lhes as lentes.
Lembra-te que ao seres conhecedor, não és tão facilmente manipulado...mas lembra-te também do reverso da medalha: ao seres conhecedor, não deves subjugar aqueles que aparentemente sabem menos do que tu.

Agora vai, sai desse marasmo mental e procura a luz do conhecimento verdadeiramente útil e necessário ao teu ser e à comunidade em que te inseres - ao seres conhecedor, tornas-te uma nova fonte de conhecimento.

E o conhecimento, ninguém to tira.

domingo, novembro 13, 2011

Banco Central Europeu


Aqui está um vídeo que explica bem como funciona o actual Banco Central Europeu e o sistema de dívida público e como as actuais medidas de austeridade não resolvem o problema. O vídeo está em francês com legendas em português.

Quem Subjuga Quem

"Está um grande temporal lá fora."

Como tudo o que é cíclico, as estações do ano fazem lembrar ao Homem que nem sempre na nossa vida faz Sol. Precisamos do Inverno para marcar a cadência do tempo e para mostrar que o poder é um status e que é completamente efémero.

As forças da Natureza relembram também ao Homem da sua insignificância e de que algo maior e mais 'forte' existe certamente para lá do nosso imaginário. A destruição, ao acontecer, apela à extrema necessidade de união e fraternidade, opondo-se diretamente à subjugação de alguém.

O Planeta Terra

É nestas alturas, em que os raios caiem sobre a crosta terrestre e que paira um sentimento de insegurança, que constato como é perfeita a nossa Terra - até no seu comportamento nos ensina a ser humildes. O nosso planeta preocupa-se mais connosco do que nós com ele.

quinta-feira, novembro 03, 2011

A Morte e a Reencarnação

Informação Incorrecta
Caros,

respondendo ao desafio do caro amigo Max do blog Informação Incorrecta, no seu post A Morte dos Leitores, deixo a minha opinião sobre a morte.


A MORTE

Um assunto interessante, sem sombra de dúvida.
Diz Informação Incorrecta:
"Mas o assunto é: o que acham os Leitores da Morte? É o fim de tudo ou algo sobrevive (como a Alma, por exemplo)? Somos apenas pó e pó voltaremos ou a Morte é algo diferente?

E a Alma, para onde vai? Inferno, Paraíso ou fica aí, no meio? Ou sofre de metempsicose, que não é uma doença psíquica mas e a Reencarnação? E qual Reencarnação? A dos Espíritas ou aquela das religiões orientais?


E o Leitor: tem medo da Morte? Porquê?
"

Antes de mais, devo avisar que o texto escrito representa uma opinião (a minha) e não representa o ponto de vista de qualquer religião, grupo, doutrina ou indivíduo (que não eu), mesmo que eu me identifique ou siga algum desses ideais.

Comecemos pelo fim: Medo da morte?
Sem sombra alguma. A morte é algo que não me assusta, acho que tenho mais respeito/medo ao sofrimento do que à morte em si. Não gostaria de morrer afogado ou queimado, gostaria de morrer normalmente: falência dos orgãos na velhice; mas como isso é algo que não posso escolher, abandonemos esta discussão e sigamos para o cerne da questão.

A morte para mim é uma passagem, o nascimento no plano espiritual - o simples desprendimento do espírito do corpo físico. Sim, porque acredito que somos imortais em espírito, que reencarnamos diversas vezes e que tudo obedece a Leis Divinas.

Hippolyte Léon Denizard Rivail
Antes que questionem, eu respondo já: SIM, sou seguidor da Doutrina Espírita. Aquela trazida pelos espíritos na Codificação de Allan Kardec (um pseudónimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail).
E porque é que me identifico com esta doutrina? Porque foi a única que pela lógica me mostrou os factos.
Atenção, a reencarnação é apenas parte da Doutrina Espírita e neste post, para não fugir do tema, não aprofundaremos a doutrina, desta forma, peço que não tomem a parte pelo todo - dizer que a reencarnação é a Doutrina Espírita é o mesmo que dizer que um par de mãos é um Ser Humano.





A Reencarnação

Em que consiste a reencarnação?
Porque acredito nela?

Para se falar em reencarnação, temos de obrigatoriamente falar em alma ou espírito (há quem distinga, chamando alma ao espírito encarnado, ou seja, com corpo físico). Partindo do princípio que somos espíritos em progressão, a reencarnação mostra-se um agente depurador do Ser Humano. Desta forma, com diversas existências, a Lei de Ação-Reação toma toda a sua amplitude, pois ninguém sai impune dos males que possa ter causado aos outros e a si mesmo. Esses males traduzem-se em carga karmica que teremos de resgatar. Esse resgate tanto pode ser feito na mesma existência, como por exemplo, uma doença causada pelo tabagismo; ou pode ser feito noutra existência, como por exemplo, alguém que explorou um povo, vir a nascer no seio desse mesmo povo para provar do mal causado pelas suas decisões.
Os mais perniciosos, podem chamar isto de vingança Divina, mas trata-se apenas da aplicação da Lei de Ação-Reação: toda a ação tem uma respetiva reação - nada mais simples.
Mas a reencarnação serve para mais, não só para resgate karmico, mas também para missões ou expiações:
  • Missão: espírito com o intuito de ajudar o meio onde irá nascer;
  • Expiação: espírito com o intuito de se depurar a nível de reforma intíma.
Pois bem, e porque acredito que somos espírito e reencarnamos? Para além das explicações trazidas n'O Livro dos Espíritos, tenho a minha própria experiência sujeita ao meu sentido crítico.
O Livro dos Espíritos
Podemos ler sobre a reencarnação n'O Livro dos Espíritos (págs. 156 ~ 165). Eu ajudo a resumir com a seguinte dissertação:

Como pode o Homem explicar que, pessoas que nasçam em iguais ambientes e recebam a mesma educação, sejam tão diferentes? Onde vão buscar a sua forma de ser e pensar se não às suas próprias ideias que trazem na bagagem espiritual? Se não houvesse reencarnação, assumiríamos que o nosso cérebro e o nosso sistemas nervoso tinham a capacidade de criar intelecto, isto é, que um conjunto de atómos e moléculas unidas de determinada forma criam o Ser Humano e a sua personalidade. Como explicar a justiça de pessoas que nascem com problemas de saúde à nascença, em famílias que nunca registaram tais casos?

Certamente, não faltarão pessoas a responder a estas observações, mas o que dizer dos espíritos que se manifestam através dos médiuns? Será loucura ou devaneio de alguém? Não me parece, principalmente quando começas a ouvir da boca de um estranho, alguém falar de ti como se te conhecesse muito bem.

O Céu e o Inferno

Dante pensando porque ainda não abriu um blog.
Não, não acredito no Céu e no Inferno perpetrados pelo Catolicismo.
Deus, se é infinitamente bom e misericordioso, nunca sujeitaria alguém ao sofrimento eterno - se sujeitasse, seria altamente contraditório. Mas que existem zonas espirituais semelhantes aos Infernos descritos sim, como podemos ler no Inferno de Dante Alighieri (da obra Divina Comédia) - relatos da sua viagem Espiritual ao interior da Terra na companhia do seu amigo Virgílio, onde, em outras faixas vibratórias da matéria, Dante fica a conhecer para onde vão aqueles que precisam de evoluir moralmente. Mais recentemente, o médium Ranieri realizou uma viagem semelhante com o benfeitor espiritual Orcus na obra Abismo.

O Céu também é um assunto controverso, pois não acredito na imagem de pessoas a viverem para sempre na ociosidade. Acho que o trabalho existirá sempre, pois só dessa forma a Humanidade evolui - através do trabalho. Não confundir com a sociedade de trabalho que temos atualmente, que fica bem próximo da escravatura...

Resumindo, ninguém está condenado a penas ou glórias eternas, pois isso depende sempre da nossa conduta moral se queremos estacionar ou evoluir.

A Esperança

Em tom de conclusão, vejo a morte como uma passagem para o plano Espiritual - a nossa verdadeira pátria. Nesse lado, podemos ficar indefinidamente, consoante o nosso grau de evolução: desde horas, a dias meses, anos, séculos...mas enquanto formos espíritos imperfeitos, a reencarnação torna-se um impositivo, ajudando-nos a evoluir através das experiências na matéria. Não faz sentido, nem tem lógica alguma uma vida que começa no nascimento e termina irremediavelmente no leito da morte. Há algo mais, algo que veio antes e algo que vem depois...só assim a nossa existência e a nossa consciência fazem sentido.

Este é o meu ponto de vista.

Caros leitores, no que puder ajudar, façam favor. Os comentários são vossos!

quinta-feira, outubro 27, 2011

Comboio dos Surumbáticos

- "Próxima Paragem - Despertar..."
Durante a semana, desloco-me para o trabalho usando o comboio.
Para me entreter nos 10 minutos de caminho, por vezes levo algo para ler, outras vezes simplesmente fico a olhar à minha volta - espreito pela janela na esperança de ver algo novo e olho para os cartazes publicitários a tentar perceber o que impingem, mas são as pessoas que mais me fascinam.
Gosto de observá-las e tentar perceber o que vai na suas ideia; gosto de olhar também os olhos e tentar perceber o que transmitem. No olhar conseguimos perceber muitas coisas. Os olhos expressam alegria, tristeza, solidão, preocupação, desejo, entre muitos outros sentimentos...

Os olhos são o espelho da alma...

Mas naquela manhã, naquele comboio, algo se passava...só sentia o silêncio dos olhares que nada diziam. De fundo, conseguia ouvir os sons característicos de um comboio em movimento...Como o olhar das pessoas estava profundamente vazio, tais robõs autênticos que se deslocam para o trabalho, sem vislumbrarem quem os rodeia, sem conversarem, sem sentimento de alegria.
Em parte fiquei aflito, por outro lado, tentei idealizar as razões para tal desconcerto.

Surgem as questões

O que se passa com o Homem?
O que é feito da nossa componente social? Porque não interagimos com os estranhos? Aliás, o conceito "estranho" faz algum sentido? Afinal, um estranho é só alguém que ainda não conhecemos...mas eu tenho a sensação que as pessoas no geral associam a algo diferente. Recusam-se a interagir para não sair da sua "zona de conforto", para não se arriscarem a conhecer alguém que as possa perturbar.
Mas vejamos mais - quantas daquelas pessoas se deslocam de manhã para um trabalho que mal dá para se alimentarem durante um mês? Acredito que isso seja também uma grande razão para esvaziar aqueles olhares...

E o medo? As pessoas também vivem com medo!...apesar de muita gente achar que não, mas o medo condiciona-nos de uma forma inimaginável e está presente em muitas ocasiões do nosso dia-a-dia... Aquela viagem, foi só mais um exemplo disso.

E então apercebi-me, após breve reflexão, que não me encontrava num comboio, mas sim num campo de batalha. Numa batalha onde cada um se defende a si mesmo, onde expressar um sorriso ou cumprimentar um desconhecido pode significar a invasão do nosso espaço. É triste, mas é o que parece...

E o pior, é que fazemos tudo inconscientemente...mas andam a preparar-nos para isto à muito tempo; uma multidão separada, sem laços, é muito mais fácil de controlar. As elites têm os planos em marcha à bastante tempo e aquelas pessoas são apenas mais uns peões no tabuleiros.

Por isso tudo e muito mais, eu sorrio. Mostrando que estou tranquilo e em paz, para além de disposto a fazer tréguas com quem estiver cansado desta monotonia no comboio dos surumbáticos.

terça-feira, outubro 11, 2011

Helicópteros - I parte

Há quem diga que o melhor amigo do Homem é o cão. Eu digo que o melhor do amigo do político é o helicóptero. Este artigo é dividido em três capítulos e tentará demonstrar como verdadeira esta estranha afirmação. Peço desculpa pela extensão de cada capítulo, mas penso que é bom para o leitor ter um contexto mais abrangente.

ARGENTINA 2001

A crise argentina de 2001 é o melhor exemplo do impacto social, político e económico que uma crise financeira pode ter numa sociedade.

Anos 80

Vários fatores fizeram com que nos anos 80 com que o aumento do déficit e dívida pública atingissem níveis insustentáveis:
  • Falência de imensas empresas - mais de 400.000;
  • Ordenados em queda;
  • Inflação fora de controlo - durante 1975 e 1988 crescia em média 220% ao ano;
  • Pagamento de dívidas relacionadas com a guerra das ilhas Falkland (1982) contra a Inglaterra;
  • Elevada evasão fiscal e elevados níveis de corrupção;
  • Maioria dos empréstimos ao Estado foram feitos em dólares Americanos, o que fez com que cada vez fossem mais difíceis de pagar devido à constante depreciação do peso argentino.

Transição para os anos 90

Nos anos seguintes, o peso Argentino (doravante peso) sofreu terríveis subidas de inflação (chegou a subir 200% num mês) e em 1991, uma das formas que o Banco Central Argentino arranjou para estabilizar a própria moeda, passou por fixar o peso em 1 dólar Americano (doravante dólar). Esta taxa fixa fez com que se cambiasse diretamente dólares por pesos, estando as duas moedas em circulação pela Argentina. As caixas multibanco solicitavam tanto dólares como pesos e os bancos faziam empréstimos em ambas as moedas. Esta medida conseguiu reduzir o problema da inflação, que em 1990 era de 1300%, para 84% em 1991. Em 1993 era menor que 10% e, durante poucos anos, chegou-se mesmo a ter crescimento económico e a confiança na Argentina voltou a subir. A criação da Mercosur em 1991 também contribuiu para que as trocas comerciais entre países da América do Sul crescessem (especialmente com o vizinho Brasil). Houve um extenso programa de privatizações e de reformas estruturais no mercado de trabalho. Estas decisões de liberalização do mercado na Argentina foram implementadas sobre a supervisão do IMF (International Monetary Fund - Fundo Monetário Internacional) e do World Bank (Banco Mundial).


Os bons indicadores iniciais mascaravam um problema

Com o dólar a valorizar nos anos 90, fez com que, por associação, o peso também valorizasse, tendo um grande impacto nas exportações argentinas. Com uma moeda mais forte, as importações aumentaram fazendo com que a indústria argentina fosse lentamente perdendo protagonismo. Não esquecer que a Argentina exporta maioritariamente para os países Sul Americanos e Europeus - países cujas moedas na altura perdiam terreno face ao dólar. Isto fez com que o estado argentino tivesse que aumentar a necessidade de emitir mais dívida pública o que fez com que o déficit continuasse a subir. Neste período o desemprego voltou a aumentar tendo chegado a atingir os 18%.

Crise voltou no final dos anos 90

Por volta de 1999 os dados económicos da Argentina foram-se agravando, e como tal, consequências de natureza especulativa no mercado foram prejudicando ainda mais as finanças argentinas.
- "Arranjas-me uns trocos?"
Para combater a crise, o IMF “recomendou” que se efetuassem cortes drásticos na despesa do Estado. (Hum, onde é que já vimos isto?...) Estes cortes afetaram penosamente os ordenados e pensões dos funcionários públicos (e não só), desencadeando, obviamente, um aumento insustentável de subsídios de desemprego.
Não menos importante foi o aconselhamento desta entidade para que se mantivesse o peso argentino fixado no dólar. Convém não ignorar a a extensão das privatizações das boas empresas públicas para que se pudesse encurtar a dívida soberana. Traduzindo por miúdos – alienação dos dividendos das empresas públicas por investidores estrangeiros.

Quando o problema financeiro passa a problema social…

Naturalmente, os argentinos começaram a trocar os seus pesos por dólares, pois a descrença na sua economia ia aumentando. Para combater esta tendência, o governo limitou os levantamentos a 250US$ por mês e congelou as contas pessoais.

Com os preços a subirem, a crescente incerteza no emprego, o limitado acesso a dinheiro e uma subida na taxa de habitantes em condições de pobreza extrema, fez com que o povo ficasse cada vez mais esmagado e com reduzida margem de manobra. Como esperado, com o agravar da crise económico-financeira, os motins nas ruas de Buenos Aires foram ganhando dimensão.


No dia 19 de Dezembro (2001), os protestos contra o governo tornaram-se violentos e viraram motins;
Confrontos entre locais e polícia agravaram e lojas começaram a ser pilhadas;
Confrontos entre os que pilhavam e os respectivos donos das lojas ceifaram algumas dezenas de vidas. Nesse mesmo dia, estado de emergência foi declarado pelo presidente.

Helicóptero maravilha salva o dia

No dia 20 de Dezembro de 2001, aquilo que tinha começado como um protesto de desempregados e de militantes de partidos de esquerda, estendeu-se à classe média, o que ajudou a tornar a situação insustentável para o presidente. Numa tentativa de apaziguamento, o presidente argentino, Fernando de la Rua, chegou a demitir o ministro da Economia, mas tal demonstrou ser infrutífero pois os protestos não diminuíram. Ao presidente só restou uma solução - abandonar o cargo. Tal tarefa não foi fácil, pois o presidente demissionário após ter entregue a sua demissão ao Congresso, viu-se obrigado a evacuar da residência presidencial, a Casa Rosada, num simpático helicóptero para evitar consequências físicas...

Pergunto-me: Como terá sido, 5 dias depois, o Natal para milhões de crianças argentinas?...

II Parte: Helicóptero avistado no Equador (em breve)

nota: Não discuti os anos subsequentes propositadamente pois o objectivo era escrever sobre o que antecedeu a revolução de 2011. A queda abrupta do PIB em 2002, a expulsão do FMI da Argentina, as medidas de Nestor Kirchner e o respectivo crescimento acentuado do PIB argentino nos últimos anos darão um bom artigo para o futuro.


Fontes:
Wikipedia
The Economist
UCATLAS
IMF
FPC

domingo, outubro 09, 2011

O Culto do Corpo

Atualmente, o corpo é visto como nosso cartão de visita em muitos locais e perante muitas pessoas, servindo muita vezes de pré-julgamento ainda antes mesmo das pessoas mostrarem o que realmente são no seu íntimo.
- "Sim, já me chamaram gorda..."

Se és gordo, é porque passas a vida a comer; se não és musculado é porque és fraco; se não tens peito, saíste ao teu pai e assim por diante...Ligas a televisão, todos te dizem que tens de emagrecer, vês publicidade na rua e dizem-te para comer fast-food...

Eu não coloco as culpas todas nas pessoas, nem nas corporações que exaltam e exploram a nossa veia consumista, brincando com as nossas emoções; coloco as responsabilidades em ambos.

Existem duas posições distintas:

  • No lado das Corporações temos o seu jogo com os nossos sentimentos. Rotulam as pessoas com grupos e modas, fazendo-te sentir mal porque não és igual aos outros. Porque não és magro, porque não "vestes isto ou aquilo", porque não tens objeto x.
  • No lado dos Indivíduos, temos a estagnação mental. As pessoas caiem na armadilha de seguirem as modas. As pessoas é que dão o golpe final do plano arquitetado pelo marketing, pois compram o que não precisam e perpetram os sentimentos passados pelos anúncios. Passando a desgostar de quem não é como lhes 'ensinaram' na TV ou na revista.

- "Não percebo como é que eles conseguem ser tão magros na TV..."

- E porque será que as pessoas fazem isso?

Porque as pessoas estão vazias...
As pessoas estão vazias de sabedoria, de Amor, de fraternidade, de igualdade... Ao invés disso, estão cheias de telenovelas, estão cheias do futebol, cheias de mal-dicência...
...cheias de Insegurança e Solidão.

Portanto, para combaterem a sua insegurança e falta de auto-estima têm de estar na moda, na moda imposta pelos media, para que se possam sentir inseridos num grupo.

Vejamos o ciclo vicioso das modas e deste culto do corpo do ponto de vista dos media:
  • Consome! Consome como se hoje fosse o teu último dia de vida, come, bebe e gasta à vontade;
  • Afinal à outro dia: andaste em excessos, tens de te meter na linha, vai ao ginásio, vai comprar a roupa da moda, vai comprar 'as coisas' (inúteis) da moda - mas no final do dia, não te esqueças que hoje é o último dia da tua vida, portanto, consome, consome porque far-te-á sentir melhor.
- "Eu antes usava calções."

Vejamos agora como na minha perspectiva eu vejo este ciclo:
  • Enche-te de inutilidades quer materiais quer intelectuais;
  • Não consegues inserir-te num círculo, pois não consegues dialogar, dizer algo construtivo, pois a tua educação (TV) não te ajuda em nada;
  • Para colmatar esse problema, mudas o teu exterior, colocando-te na moda, na esperança de seres inserido num grupo, catalogado como alguém 'in'.

Esta reflexão, é um ponto de vista, como tal, não é uma regra, pois conheço quem goste de andar na moda, mas ao mesmo tempos são pessoas que se preocupam em cuidar de igual forma do seu intelecto, mas infelizmente não são muitos nestas condições.

Devemos cuidar de nós?
Sim, sem dúvida, mas cuidar de nós é cuidar da nossa saúde. Acho que o problema está na forma como as pessoas analisam o problema - não devemos ir ao extremos e devemos equilibrar corpo e mente, sempre. Eis duas perspectivas bem distintas de olhar para a mesma coisa:
  • Sou gordo, tenho de emagrecer porque sou feio;
  • Sou gordo, tenho de ter cuidado com as doenças cardiovasculares, logo, terei de perder peso para diminuir esse risco.

Acho que me fiz entender...

quinta-feira, outubro 06, 2011

A Verdade

Eu não sou dono da verdade,

na realidade, ninguém é dono da verdade. A verdade apenas o é simplesmente enquanto não for desmentida e dura tanto tempo quanto o tempo que permanece como sendo verdade.

Mas não só, a verdade, apenas o é - uma verdade - enquanto houver quem nela acredite e a dissemine. Desta forma, mesmo que a verdade seja claramente desmentida, esta continua a ser verdade para quem não admite a sua refutação.

Como posso então definir "a Verdade"?
É uma ideia, cuja origem não importa, mas que foi aceite e disseminada por um grupo de indivíduos durante um período de tempo (que pode ainda não ter terminado).

Certo, até aqui parece-me tudo bem.

Mas e o que acontece quando a nossa verdade é refutada/desmentida?
  • Há quem não aceite e permaneça fiel a seu princípio;
  • Há quem nem pense duas vezes e de imediato adopta o novo conceito;
  • E há o meio-termo, o equilíbrio...
...pois é no equilíbrio que nos devemos manter: não ser comodista nem radical, mas ser sim um ser pensante.
Na dúvida, mais vale escolher o bem.

Quem muda de ideias sem refletir um pouco?
Infelizmente, muita gente...

A nossa sociedade é enganada constantemente com verdades que apenas duram meses, dias e até mesmo horas, basta para isso ligarmos a televisão e vemos notícias correrem num dia com uma forma, e no dia seguinte já adotaram outra forma e as pessoas acreditam e pronto...não pensam, não relacionam os pontos, não investigam um pouco.



O mesmo se sucede com o atual sistema económico - o tal que está falido e é obsoleto - muitos fazem querer que é assim que deve ser, pois não existe melhor do que o que vivemos atualmente. Mas eu analiso os fatos e vejo que nunca houve tanta exclusão social como agora, as coisas estão a ser levadas para os extremos. Cada vez mais pobreza, a surgir de forma desmesurada, sem ninguém colocar um travão em tudo isto.

Este Capitalismo Parasitário tira proveito d'A Verdade. Espalha a verdade nos anúncios de TV, nas modas, nos media...e todos consomem as suas ideias como se fossem a verdadeira realidade.

Mas não é...

...pelo menos para mim.

terça-feira, setembro 20, 2011

O Papel

"O que pensam as pessoas?" - Tantas vezes questiono isso quando vejo certas e determinadas acções e comportamentos...


Platão - está um bocado pálido, talvez precise de Sol.


"O comportamento Humano tem três grandes origens: desejo, emoção e conhecimento." - Platão
O sujeito chegou ao carro, tinha um daqueles papéis publicitários preso no limpa-pára-brisas, agarrou nele, amachucou-o ligeiramente e largou-o no chão...


...e, de repente, invadiram-me uma série de indagações. Resumidamente: "Porque é que ele agiu assim?" (Porque é porco... eheheh)


Bem, antes de mais, quero salientar que este artigo é uma pura opinião, não pretendo julgar nem condenar ninguém; apenas pretendo perceber a motivação das pessoas para os seus comportamentos.


Exploremos então a afirmação de Platão e tentemos perceber onde encaixam as suas premissas na situação do papel.


Desejo


Em filosofia, o desejo é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação.[1] Ou seja, um desejo é sentir atracção por algo que nos satisfaz (ou julgamos que nos satisfaz). Existem vários tipos de desejos, como podemos constatar no Quadro 1.


Quadro 1 - Classificação dos Desejos segundo Epicuro* (Clicar para ver maior)


Se tentarmos inserir a acção na classificação de Epicuro, ficamos um bocado pensativos, pois afinal, não estou a ver aquele gesto ter sido algo natural, necessário ou irrealizável (aquilo aconteceu mesmo à minha frente, a alguns metros de mim)...talvez um desejo frívolo artificial? Sinceramente, não vi prazer na cara do senhor. A mim parece que a acção de onde proveio o desejo, foi na parte de 'proteger' os seus bens, eliminando aquele bocado de papel de cima do seu carro.

Emoção

A emoção é uma experiência subjectiva, associada ao temperamento, personalidade e motivação. Existe uma distinção entre a emoção e os resultados da emoção, principalmente os comportamentos gerados e as expressões emocionais.[2] Mas antes temos de avaliar o seguinte: emoção como causa, ou emoção como efeito? Ou seja, terão as suas emoções levado a que tivesse feito aquilo? Ou será que executou aquele gesto na esperança de experimentar alguma emoção?
Existem muitas teorias sobre o que é a Emoção, mas como não somos peritos em filosofia, psicologia ou sociologia, vamos abordá-lo dum ponto de vista mais leigo e com base em emoções que conhecemos, como, felicidade, alegria, tristeza, melancolia, solidão, etc.


"O quê?! Lixo no meu carro?"


Aquilo que observei naquele momento, não me permitiu perceber se existiu ali alguma emoção, ou não...mas posso falar que surpresa, repúdio e indiferença podem muito bem ter sido emoções experienciadas.


Surpresa: quando viu o papel num sítio onde antes não estava nada;
Repúdio: não querer aquilo ali, pois não é seu, não gosta daquilo e não tem que ficar com aquilo.
Indiferença: Não sei se posso dizer que é uma emoção, mas é a única coisa que explica o acto final: indiferença face à sociedade e ao meio-ambiente, lançando lixo no chão num acto impulsivo.


Conhecimento


O que entendo por conhecimento, prende-se não só pela informação que temos, mas também pelo nosso avanço moral e ético. Mas o conhecimento só é válido quando posto em prática


O livro que contém tudo aquilo que nós sabemos.


Não existem pessoas "burras", existem sim os ignorantes e os que colocam em prática aquilo que sabem/conhecem, ou não. O conhecimento é nos dados todos os dias, quer numa experiência vivenciada, quer obtendo directamente duma fonte de informação e conhecimento. As pessoas ditas "conhecedoras de algo", tendem a (re)agir consoante esse seu conhecimento (aquilo que já aprenderam).


Basta olharmos para as crianças....


Uma criança brinca com um fósforo. Este, incendeia. A criança toca na chama e queima-se. Aprendeu que o fogo queima...nada mais simples. (Até o Gervásio sabe.)


O mesmo se aplica para a nossa conduta moral e é aqui que a sociedade tem o seu maior contributo: dando os bons exemplos, explicando o que é a liberdade do homem, o respeito, a natureza e o papel de cada um de nós nesta colmeia - basicamente, aprender a diferença entre o certo e o errado, entre o bem e o mal.  Este é o conhecimento essencial.


A meu ver, é este conhecimento que condiciona os nossos DESEJOS e as nossas EMOÇÕES. É ele que define a prioridade das nossas MOTIVAÇÕES.


Podemos dizer que a atitude do sujeito em causa revela ignorância. Não mede as consequências mesmo dos actos mais pequenos. E isto pode acontecer (e acontece mesmo) com qualquer um. Pois todos somos ignorantes em muita coisa...mas o que vem a seguir é o mais importante: a análise sobre as nossas atitutes, o exame de consciência...as questões sobre as nossas acções...e isso sim, revela a vontade de sair da ignorância.


Conclusão
(Uff...finalmente...)


Tal como tinha dito no início, este artigo é apenas a minha opinião. Baseado nas minhas convicções e aprimorado com um pequeno estudo, nada mais.


A atitude analisada pode ser vista por muitos como normal, por outros como "nem por isso" e mesmo condenada por outros (ainda). Portanto, acho que cabe a cada fazer o seu juízo (mas sem condenar ninguém).


As suas motivações? Não sabemos...cabe-nos apenas indagar e esperar que a pessoa em causa comente este artigo. eheheh


Pois bem, ver aquilo levou-me a levantar questões com as quais pretendo aprender alguma coisa, e a resumir as suas respostas no seguinte:

  • reflectir nos nossos actos, por mais pequenos que sejam;
  • respeitar o próximo (mesmo que ele não esteja a olhar);
  • procurarmos o conhecimento (Sim, mesmo dentro de nós há conhecimento - basta ouvirmos a nossa consciência);
  • e, ter uma visão global do ensinamento: Não faças aos outros o que não gostarias que fizessem a ti;
Yes, it changes!



* Epicuro - Filósofo grego 341a.C. ~ 270a.C.
Fontes:

quinta-feira, agosto 25, 2011

Olhar para trás...

Algo não está correcto...

Todos os dias te impingem a ideia de que não és capaz, que tens de aceitar o que vês, porque 'é mesmo assim'. Muitas vezes, pessoas que nem tentaram sequer, empurram-te para seres como eles. Distraiem-te com tudo: a bola, a TV, as notícias, a economia...tanta coisa.

Mas penso em quem está lá fora, naquele que esta noite não dormiu porque tem muitas 'dores-de-cabeça' para resolver; naquele que quer trabalhar e já ninguém o quer; naquele que conta os trocos para dar comida ao seu filho; naquele que vi a remexer o lixo em busca de 'alguma coisa'....

ACORDA!
Olha a tua volta e o que vês?

Não, não vês os outros...
...vês-te a ti, parado, sem dar o exemplo. Não dás o passo que todos têm medo de dar e muitos já se esqueceram que existe...

Olhas para trás e o que vês?

...

Foi inútil, não foi? Fizeste alguma coisa?

...

...

Bem me parecia...


quinta-feira, abril 07, 2011

O Sócrates, o FMI e os Alienados

"A notícia é falsa. Não passam de rumores sem fundamento." [1]
Reacção do gabinete do Primeiro-Ministro à notícia avançada ontem pelo britânico Financial Times sobre um eventual contacto entre Portugal e Bruxelas para se avançar com o pedido de ajuda externa.


E hoje temos...


Sócrates pede ajuda externa à Comissão Europeia [2]


- Mas isso não era mentira?!

Era, quer dizer, agora não é, ou seja...bem...avancemos...

"O Governo decidiu hoje mesmo dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira por forma a garantir as condições de financiamento do nosso país, ao nosso sistema financeiro e à nossa economia. Fizemo-lo nos termos que têm em conta a situação política nacional e as limitações constitucionais do Governo, como Governo de gestão (...) o rating da república desceu, as taxas de juro dispararam, os bancos e as grandes empresas portuguesas viram o rating baixar desde então (...) Desde a rejeição do PEC acentuaram-se as dificuldades de financiamento da república e da economia portuguesa (...) as taxas de juro de hoje (...são um) sinal claro da crescente dificuldade do nosso país em se financiar (...) Lutei nestes últimos anos para que isto não acontecesse. Tínhamos uma solução e ela foi deitada fora (...) Sempre encarei um pedido de ajuda externa como um último recurso. Tudo tentei, mas em consciência julgo que chegámos ao momento em que não tomar essa decisão acarretaria riscos." - José Sócrates

Vamos analisar o discurso Socrático? Vamos, vamos?
- Vamos!

Ok, é dado adquirido: Portugal vai receber a 'ajuda' externa.

- Porque é que escreveste 'ajuda' e não 'ajuda'?

Manipulação da opinião pública, já ouviste falar?
É que este fantástico pacote de 'ajuda' não vem a custo zero. Traz maravilhosas contrapartidas, para ti, para mim, para todos! (Olha como eles são generosos.) Porque isto não é nada mais do que um empréstimo e as medidas de austeridade impostas por Bruxelas - podes chamar-lhes União Europeia, Banco Central Europeu, tanto faz...lá no fundo, vai dar ao mesmo. Pois Portugal já constatou o que a maravilhosa 'ajuda' fez nos restantes países que receberam a BBCE - Benção do BCE; Irlanda e Grécia continuam com as suas dificuldades, para além de terem dois recém-nascidos ao colo chamados Juros e Austeridade.

Sim, porque a 'ajuda' vem, mas tem de ser devolvida...mais tarde ou mais cedo...e com juros.

- Hum...entendo...afinal os nossos políticos falam tanto em ajuda, mas só estão a endividar mais o país, certo?

Certo.
E relativamente ao pacote de 'ajuda' que aí vem, alguns falam em 75 mil milhões de Euros [3], outros em 90 mil milhões [4], mas pegando no valor mais baixo, podemos fazer uma breve análise:

Em Portugal somo sensivelmente 12 milhões e se dividirmos os 75 mil milhões de Euros por cada português, temos 6,250.00€ por português. E isto tem de ser pago num determinado prazo e com determinado juro que ainda estão a ser negociados.

- 6,250€ ?! Mas eu estou no desemprego, não arranjarei tal quantia...

Estás tu, e mais uns tantos - sensivelmente 10% da população está desempregada e endividada [5] - portanto, podes imaginar o que está a acontecer. Não esquecendo que existe a inflação pelo meio disso tudo...


O quadro não está nada bonito.

- Já percebi que estamos em maus lençóis.. Não podemos simplesmente negar esses empréstimos?


Ouviste falar nas empresas de rating? Elas ditam o quanto vale o teu país e a tua economia, nomeadamente a tua indústria, os teus serviços, etc. E nestes últimos tempos (duma forma clara e sucinta) elas descreveram o que era Portugal para os investidores: LIXO.
Esses investidores vão fugir de Portugal, de tal forma que o país não conseguirá gerar dinheiro. (Na verdade pode, mas isso implicaria uma gestão bem feita - coisa que os políticos não querem fazer.)

Pois bem, um país que não produz, com vários problemas sociais a nível da educação, formação, saúde, empregabilidade, criminalidade, etc.,   Isto aliado a uma má gestão que já reina à décadas só resulta numa coisa: tempos difíceis. É aí que entra a 'ajuda' - injecta dinheiro na economia para tentar reanimá-la, atraindo também investidores...mas se esse dinheiro não for bem gerido, bem podem vir mais pacotes de 'ajuda', que não saímos da cepa torta.


Portugal cedeu a essa pressão e aceitou o empréstimo...

- E agora?

Agora? Agora resta-nos continuar a nossa vida na esperança de que as medidas tomadas não sejam catastróficas. E temos que estar cientes de uma coisa MUITO IMPORTANTE:


Portugal deixou de ser um estado soberano. Agora, as regras não são mais ditadas pelos nossos políticos, mas sim por uma comissão externa que não conhece a nossa realidade. Como tal, pode ir qualquer político para o poder, pois na realidade, esse poder já não existe. Os nosso políticos, passarão a ser fantoches e marionetas articulados desde Bruxelas.



- Ok, entendi mais um pouco disto tudo. E quanto ao restante discurso do Sócrates? Pelo que vejo, ele é que nos vais ajudar. Já não posso com a oposição, chumbaram o PEC que nos poderia salvar das medidas de austeridade que aí vêm, certo?

O restante discurso de Sócrates é a cereja no topo do bolo da sua estratégia política.

"Lutei nestes últimos anos para que isto não acontecesse. Tínhamos uma solução e ela foi deitada fora (...) Sempre encarei um pedido de ajuda externa como um último recurso. Tudo tentei, mas em consciência julgo que chegámos ao momento em que não tomar essa decisão acarretaria riscos."
A solução de que fala, o PEC4, são medidas que José Sócrates já esperava serem chumbadas pela oposição liderada por Passos Coelho (PSD), isto, devido ao seu ultimato: ou aprovam o PEC, ou demito-te. A oposição, na esperança de ocupar o lugar do primeiro-ministro, fez-lhe esse favor. Com cessação dos seus poderes agendada para 5 de Junho de 2011 (data das legislativas), o nosso PM fez o seu golpe genial - avançou com o pedido de ajuda externa. Ora, até 5 de Junho, Portugal saberá quais as medidas (de austeridade) enviadas pela UE. E o povo, indignado (sim, porque não deve vir dali coisa boa), vai colocar as culpas em quem? No PSD e restante oposição, porque não aprovaram o PEC4 proposto pelo primeiro-ministro José Sócrates. E as tendências de voto mostram que o povo (alienado) continua a gostar de Sócrates [6] - o demissionário que se recandidata.


O quê? Mas ele não queria sair do governo?!


Queria, mas era a brincar. Isto faz tudo parte de estratégia política e manipulação da opinião pública - NÓS!

Fontes:

Sociedade - Afinal o que é?

Nomear um blog de "Sociedade Alienada" sem dar uma breve explicação aos leitores sobre o que é a sociedade, não faz muito sentido, pois falaremos constantemente nela directa, ou indirectamente e ela será sempre o nosso referencial - pois nós somos essa sociedade.





"Uma pessoa que não consiga viver em sociedade, ou não necessite por ser auto-suficiente, ou é uma besta ou é um Deus." - Aristóteles




Poderia falar sobre os vários tipos de sociedade que existiram ao longo dos tempos até chegarmos à sociedade actual - A Sociedade de Consumo, mas o meu objectivo não é esse, pois pretendo dar minha opinião sobre a sociedade do ponto de vista do observador que relaciona os problemas actuais com as vivências em sociedade.

O Indivíduo e a Sociedade
Vejamos a definição de sociedade no dicionário:

sociedade
nome feminino
  1. conjunto de pessoas que vivem em estado gregário, corpo social;
  2. conjunto de pessoas que mantêm relações sociais, colectividade;
  3. estado dos animais que vivem normalmente em agrupamentos;
  4. relação entre pessoas, convivência.
Não podemos negar que fazemos parte da sociedade. Estamos rodeados por ela (pois nós somos os seus elementos), recebemos os seus valores desde pequenos, quer queiramos, quer não. E só mais tarde, com o desenvolvimento (ou não) da nossa opinião e sentido crítico é que percebemos o quanto estamos enquadrados com essa sociedade à qual pertencemos.
- Explica lá isso melhor?
Imagina o seguinte:
  • nasceste num país em guerra, onde desde cedo te dão uma arma para aprenderes a lidar com ela e para matares "os inimigos" (que nem sabes porque são teus inimigos...mas enfim). À medida que cresces, apercebeste que algo está mal, pois tentas perceber um pouco do que se passa à tua volta e claramente entendes que retirar a vida a um semelhante é um acto condenável. Decides mudar de atitude e a partir desse momento, excluiste-te parcialmente dessa sociedade, pois deixaste de partilhar alguns dos seus valores e costumes.


- Isso não é assim tão fácil...deixar de fazer algo que sempre me foi incutido assim?
Sim, não é fácil executar esse tipo de reforma no pensamento (e consequentes atitudes), mas ela (a reforma) é possível. A sua eficácia só depende das nossas motivações.
- Mas...e a sociedade? Não resiste à minha mudança?
Resiste pois, em maior ou menor escala, acabas por sofrer sempre influências que te levam a pensar que afinal as tuas ideias parecem um devaneio...e que a verdade, é aquilo que é proclamado na generalidade, aquilo que é proclamado pela sociedade. Mas...

...nem tudo o que é normal, é o que está certo.
Muitas das coisas que actualmente fazemos nem questionamos porque as fazemos, não só porque "sempre assim foram", mas também porque a sociedade já desenvolveu mecanismos para as manter. Desde pequenas coisas como as tuas regras de alimentação, às mais complexas como a sociedade de consumismo na qual vivemos.
- Humm...Mecanismos?! Não estou a ver nenhum...
Exemplo: 
O fato e o "status" social 
Quantos de vós já questionaram a razão pela qual existe o fato e gravata? Não é só para andarmos vestidos certamente, pois para isso existem vestes bem mais práticas e diga-se de passagem, bem MAIS baratas. O fato e a gravata existem por uma "imposição social".
Sim, imposição...
Apesar de efectivamente ninguém colocar essa imposição (excepto algumas excepções), em muitos sítios, principalmente nos locais de trabalho, muita gente usa fato - o belo e vistoso fato. E porquê? Sinceramente, acho que não sei. Vejamos: o fato não te dá inteligência nem capacidade de raciocínio, não te dá destreza nem qualquer outro tipo de outro faculdade, mas...o fato deixa-te integrado num local onde toda a gente usa fato.
- Ok, e mais?


É só isso.


- Só?!


Sim, só. Aposto que ninguém está de manhã no teu quarto a dizer o que tens de vestir, mas para te sentires bem e enquadrado num local onde todos estão de fato, automaticamente ganhas esse bloqueio mental que te leva a agir da mesma forma.


Agora aplica isso em grande escala, em outro grandes temas como a economia, por exemplo. Mas isso será tratado com mais calma noutro dia.


Deixo-vos um vídeo sugestivo:


Os Cinco Macacos


E com isto, já me alonguei...

quarta-feira, abril 06, 2011

Elogio à Criatividade


Discutia eu com o Saraiva sobre qual deveria de ser o primeiro artigo deste blog alienado e chegámos à conclusão que para já cada um deveria escrever sobre o que lhe apetecesse.

Admito que ainda não tinha escrito nada aquando do surgimento do primeiro artigo dele. Pensei eu para mim: "Hum...não contava com um artigo tão criativo, pensei que fossemos começar com algo mais objectivo. Hum...um momento...não seria má ideia...Que tal falarmos de criatividade?" Bora!

Segundo a fonte de conhecimento universal - Wikipédia - o conceito criatividade tem diversos significados, sendo este o meu preferido: "Criatividade representa a emergência de algo único e original" em vez de, por exemplo: "Criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceite como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo". O segundo, provavelmente define melhor esse conceito em termos técnicos, mas julgo que o primeiro é mais subjectivo e deixa mais espaço à imaginação.

Na minha perspectiva, a criatividade pode manifestar-se de toda e qualquer forma, em todo o ofício em que nos seja permitido exercer o livre arbítrio. A criatividade acaba por ser o maior instrumento intelectual que todo o ser vivo possui. Está integralmente ligado à evolução do mesmo, quer esta seja má ou boa. Ser criativo significa arriscar, sair da zona de conforto. Significa dar uma contribuição pessoal ao mundo, pintá-lo com cores diferentes ou dar uma nova razão para querermos que o Sol nasça no dia seguinte. Serve para isso mesmo, quebrar o marasmo da nossa existência. Infelizmente a utilidade desta, estará directamente ligada à boa ou má natureza do seu criador.

Por norma associa-se criatividade a correntes artísticas como pintura, música, cinema ou simplesmente à escrita de um texto. Eu digo para ir-se mais além com este conceito. Porque não associar-se a critividade à fórmula matemática que Leibniz inventou ou simplesmente o novo caminho que tu descobriste ontem para te levar ao trabalho ou ainda à nova posição sexual que experimentaste com o(a) parceiro(a). Todos nós temos criatividade, uns mais que outros: é inegável; porém, ainda existem muitos com medo de a por em prática.

O apelo que faço aos leitores, acaba por ir de encontro com o post do caro co-autor do blog, ou seja, um apelo à tentativa de quebrar a rotina com pequenos ou grandes lampejos de criatividade, o que certamente vai dar mais significado à vossa existência neste maravilhoso planeta no qual muitos estão a ser a criativos no que toca à sua destruição... mas isso será outro tema para breve.

Sociedade Alienada





Acordaste, mais um dia te espera.

Ainda ensonado relembras o sonho que ainda agora vivias, mas que já parece tão distante. 
Colocas os pés no chão, a tentar encontrar os chinelos...o contacto com tapete fofo faz-te pensar como é bom acordar assim. 

Cantarolas aquela música enquanto tomas banho; vestes-te, tomas o pequeno-almoço...

Sais para trabalhar, hoje vais de comboio - é um dia diferente, como uma homenagem ao ambiente: ontem viste aquele programa televisivo que alertava para as elevadas emissões de CO2 nas cidades e decidiste ir de comboio.

As pessoas vão caladas, atoladas, cada uma com a sua forma e feitio, mas todas vão ao mesmo...todas vão trabalhar ou estudar. Nesta altura do ano são poucos os que estão de férias e vão até à praia naquele comboio.

O trabalho não é fácil. Está tudo muito difícil por lá...mas tu tens poucas responsabilidades, afinal, o teu trabalho é bastante patético, simples e quase inútil. Mas dá-te o pão que comes todos os dias e o abrigo que te protege da intempérie.

No regresso a casa, vais procurar o carro - já nem te lembravas que tinhas vindo de comboio - "Que porcaria!..."

Em casa és invadido pela publicidade no correio, na TV e ouves aquelas notícias da tal guerra que começou lá naquele país onde eles são todos malucos. "Coitados!" - pensas tu...e mudas de canal. "Olha, está a dar aquele programa." - e que te faz esquecer o teu sonho de hoje.

Que te faz esquecer o mendigo que viste no comboio, o sem-abrigo que dorme na escadaria do teu prédio e aquela guerra chata que eles se fartam de falar na televisão.

Esqueces essas coisas; nem te questionas porque elas acontecem...

Esqueces essas coisas, porque afinal elas até são normais - sempre estiveram ali.

Já nem te lembras porque foste trabalhar de manhã, aliás, nem te lembras porque trabalhas sequer...assim de repente pensas que seja pelo dinheiro, para pagares as tuas coisas. Mas não fazes caso...

...e voltas à tua sala, àquele programa de TV divertido, que te poupa dores de cabeça e não te obriga a pensar muito - afinal, é o fim de um dia de trabalho.

E aquele sonho?

...lembro-me vagamente das flores e do campo, de correr com ela de braço dado...mas nada mais. Já foi à muito tempo, é irrelevante. 

"Never again will you be capable of ordinary human feeling. Everything will be dead inside you. Never again will you be capable of love, or friendship, or joy of living, or laughter, or curiosity, or courage, or integrity. You will be hollow. We shall squeeze you empty and then we shall fill you with ourselves." - George Orwell in Nineteen Eighty-Four