domingo, outubro 09, 2011

O Culto do Corpo

Atualmente, o corpo é visto como nosso cartão de visita em muitos locais e perante muitas pessoas, servindo muita vezes de pré-julgamento ainda antes mesmo das pessoas mostrarem o que realmente são no seu íntimo.
- "Sim, já me chamaram gorda..."

Se és gordo, é porque passas a vida a comer; se não és musculado é porque és fraco; se não tens peito, saíste ao teu pai e assim por diante...Ligas a televisão, todos te dizem que tens de emagrecer, vês publicidade na rua e dizem-te para comer fast-food...

Eu não coloco as culpas todas nas pessoas, nem nas corporações que exaltam e exploram a nossa veia consumista, brincando com as nossas emoções; coloco as responsabilidades em ambos.

Existem duas posições distintas:

  • No lado das Corporações temos o seu jogo com os nossos sentimentos. Rotulam as pessoas com grupos e modas, fazendo-te sentir mal porque não és igual aos outros. Porque não és magro, porque não "vestes isto ou aquilo", porque não tens objeto x.
  • No lado dos Indivíduos, temos a estagnação mental. As pessoas caiem na armadilha de seguirem as modas. As pessoas é que dão o golpe final do plano arquitetado pelo marketing, pois compram o que não precisam e perpetram os sentimentos passados pelos anúncios. Passando a desgostar de quem não é como lhes 'ensinaram' na TV ou na revista.

- "Não percebo como é que eles conseguem ser tão magros na TV..."

- E porque será que as pessoas fazem isso?

Porque as pessoas estão vazias...
As pessoas estão vazias de sabedoria, de Amor, de fraternidade, de igualdade... Ao invés disso, estão cheias de telenovelas, estão cheias do futebol, cheias de mal-dicência...
...cheias de Insegurança e Solidão.

Portanto, para combaterem a sua insegurança e falta de auto-estima têm de estar na moda, na moda imposta pelos media, para que se possam sentir inseridos num grupo.

Vejamos o ciclo vicioso das modas e deste culto do corpo do ponto de vista dos media:
  • Consome! Consome como se hoje fosse o teu último dia de vida, come, bebe e gasta à vontade;
  • Afinal à outro dia: andaste em excessos, tens de te meter na linha, vai ao ginásio, vai comprar a roupa da moda, vai comprar 'as coisas' (inúteis) da moda - mas no final do dia, não te esqueças que hoje é o último dia da tua vida, portanto, consome, consome porque far-te-á sentir melhor.
- "Eu antes usava calções."

Vejamos agora como na minha perspectiva eu vejo este ciclo:
  • Enche-te de inutilidades quer materiais quer intelectuais;
  • Não consegues inserir-te num círculo, pois não consegues dialogar, dizer algo construtivo, pois a tua educação (TV) não te ajuda em nada;
  • Para colmatar esse problema, mudas o teu exterior, colocando-te na moda, na esperança de seres inserido num grupo, catalogado como alguém 'in'.

Esta reflexão, é um ponto de vista, como tal, não é uma regra, pois conheço quem goste de andar na moda, mas ao mesmo tempos são pessoas que se preocupam em cuidar de igual forma do seu intelecto, mas infelizmente não são muitos nestas condições.

Devemos cuidar de nós?
Sim, sem dúvida, mas cuidar de nós é cuidar da nossa saúde. Acho que o problema está na forma como as pessoas analisam o problema - não devemos ir ao extremos e devemos equilibrar corpo e mente, sempre. Eis duas perspectivas bem distintas de olhar para a mesma coisa:
  • Sou gordo, tenho de emagrecer porque sou feio;
  • Sou gordo, tenho de ter cuidado com as doenças cardiovasculares, logo, terei de perder peso para diminuir esse risco.

Acho que me fiz entender...
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